QUINTA-FEIRA — CHEGADA / ACOLHIMENTO / DESACELERAR
Chegada no final da tarde.
Recepção na casa cercada pela natureza, com chá quente e uma mesa coletiva preparada lentamente.
Jantar de boas-vindas e conversa ao redor da lareira sobre criação, paisagem, memória e expectativas para a vivência.
Um momento para desacelerar e entrar em contato com um ritmo diferente do cotidiano.
Mais tarde, já recolhidos aos quartos, sobre os lençóis, respirando o ar fresco de Atibaia, vamos imaginar nossa ida para a Pedra Grande na manhã seguinte.
A montanha nos espera.
A noite termina em descanso, preparando corpo e olhar para a travessia que acontecerá ao amanhecer.
SEXTA-FEIRA — ATELIÊ SUSPENSO / MONTANHA / ESCUTA / TRAVESSIA
Após o café da manhã, o grupo parte em veículos 4×4 rumo à Pedra Grande.
A subida acontece lentamente. No topo, diante da imensidão da paisagem, realizamos uma prática contemplativa guiada.
Silêncio. Respiração. Escuta.
Os participantes observam rachaduras, erosões, texturas, superfícies e marcas do tempo na pedra. Pequenos registros, desenhos e anotações são feitos não para copiar a paisagem, mas para traduzir sensações despertadas por ela.
A montanha passa a existir como referência poética e estética para toda a criação do final de semana.
Durante a permanência na Pedra Grande, faremos um lanche em meio à paisagem e ao convívio do grupo.
Após o retorno, teremos um tempo para descanso e integração das experiências vividas ao longo do dia.
Ao anoitecer, nos reuniremos novamente para o jantar e para compartilhar impressões, descobertas e percepções despertadas pela experiência na Pedra Grande.
SÁBADO — ATELIÊ DE CERÂMICA / BARRO / FOGO
A proposta é construir objetos carregados de presença.
Os participantes desenvolvem objetos corporais, pequenas esculturas vestíveis e fragmentos cerâmicos para o corpo.
Os materiais disponibilizados incluem terracota, pigmentos naturais, cordas, tecidos, ferramentas manuais e elementos naturais observados e coletados durante a experiência na Pedra Grande, que poderão ser utilizados para criar marcas, texturas e impressões sobre a argila.
Todas essas possibilidades são opcionais. Cada participante será livre para escolher os materiais e os caminhos que melhor dialoguem com seu processo de criação.
No final do dia, as peças são organizadas para secagem e preparação da queima.
À noite, ao redor da lareira, cada participante escreve uma carta para si mesmo, registrando impressões, descobertas e desejos despertados ao longo da experiência.
DOMINGO — INTEGRAÇÃO / RETORNO
O domingo amanhece lentamente.
O café da manhã é servido sem pressa.
Depois acontece a roda final de integração.
Este será um momento de compartilhar percepções, descobertas e experiências vividas ao longo dos dias.
Cada participante poderá falar sobre:
• o que observou em si durante a vivência;
• sua relação com a paisagem, a matéria e o processo criativo;
• os caminhos que começaram a surgir durante o trabalho com a cerâmica; • o que deseja levar consigo para a vida cotidiana.
Mais do que um encerramento, este encontro final propõe uma pausa para reconhecer tudo o que foi vivido, observado e experimentado ao longo da jornada.
O encerramento não acontece como conclusão.
Mas como abertura.
Porque a proposta da vivência não é oferecer respostas prontas. É devolver ao corpo a possibilidade de observar, sentir e criar.
E talvez lembrar que criar também pode ser:
silenciar, respirar, tocar a terra, olhar uma montanha e permitir que novas formas surjam
Sobre esta vivência
Atibaia não foi escolhida por acaso. Foi aqui que cresci. Entre montanhas, pedras, trilhas, fogueiras e longos silêncios da natureza. Foi nessa paisagem que aprendi, ainda sem saber, a observar o mundo com atenção e a desenvolver uma relação profunda com a matéria, o fazer manual e a criação.
Hoje, depois de muitos anos dedicados à joalheria contemporânea, à pesquisa artística e à formação de artistas, sinto que existe algo muito especial em retornar a esse território para compartilhar uma experiência de criação.
Esta vivência nasce do desejo de reunir arte contemporânea, natureza e processos criativos em um mesmo espaço de investigação. Um convite para desacelerar, escutar e criar a partir daquilo que emerge quando estamos verdadeiramente presentes.
Para tornar essa experiência possível, conto com a parceria da ceramista Solange, do Espaço 4 Artes, uma artista que há anos dedica sua vida ao barro, aos ofícios manuais e à construção de espaços de encontro e transformação.
Mais do que ensinar uma técnica ou produzir um objeto, quero criar um tempo de pesquisa, convivência e presença. Um espaço onde possamos pensar através das mãos, criar através da matéria e, talvez, reencontrar algo essencial em nós mesmos.
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